Disciplina no domínio sobre as emoções

ENTENDA POR QUE A AUTODISCIPLINA ESTÁ MAIS RELACIONADA AO BOM DESEMPENHO ACADÊMICO QUE A RESULTADOS EM TESTES DE INTELIGÊNCIA

Por Michele Muller / Adaptação Web Rachel de Brito

DOMÍNIO SOBRE AS EMOÇÕES

Costumamos associar rotina a algo chato e sem graça pelo simples fato de que é sempre bom sair dela. Para as crianças, que adoram novidades, fazer uma coisa diferente pode ser muito empolgante.

Para que possamos curtir esses momentos é preciso haver uma rotina a ser quebrada. Sem ela, os dias passam a ser caóticos, a alimentação e o sono são prejudicados, a criança não desenvolve a persistência e não exercita o controle da atenção. A relação com a atenção pode não ser óbvia, mas é direta: toda atividade que requer concentração exige esforço, traz um desconforto que nos leva a adiar a tarefa até o último momento.

Se já temos um tempo determinado para atividades nas quais precisamos nos concentrar, não damos chance à procrastinação. Entre crianças, a rotina é uma forma de tirar seu poder de decisão; de não deixar espaço para que decidam quando farão a tarefa, por exemplo. Isso as poupa de uma ansiedade desnecessária, acionada pela projeção do momento desconfortável de estudo. Um horário muito flexível e variável para as obrigações também dá margem para que elas lutem contra esse momento não apenas com procrastinação ou distrações, mas com birras e desobediência.

A rotina está relacionada ao comportamento porque se impõe, fecha espaço para negociações e torna-se inquestionável.

Quando criamos e seguimos uma rotina, paramos de consultar a vontade e partimos à ação. Disciplina é exatamente isso: colocar a ação acima da vontade e dos sentimentos. Não se trata de obediência e sim de assumir um compromisso – geralmente consigo mesmo – e cumpri-lo, independentemente das condições emocionais. Ela nos ensina a termos mais sobre as próprias emoções e a focarmos na produtividade, no processo.

Ao direcionarmos a atenção àquilo que nos comprometemos a fazer, somos transformados pela ação e deixamos de ser dominados pelos desejos. Estabelecer horários para as atividades das quais costumamos fugir, por exigirem esforço cognitivo ou físico, nos permite maior produtividade e ganho de destreza em qualquer domínio – pois o desenvolvimento de habilidades necessariamente passa pela repetição, persistência e disciplina, atributos que se recusam a se submeter à disposição.

Se esperamos que uma criança desenvolva sozinha e naturalmente habilidades de seu interesse, acabamos privando-a da satisfação de se descobrir capaz de fazer algo com maestria e de perceber que o exercício programado transforma o esforço inicial em uma ação automática, realizada de forma ágil e com prazer.

Ao experimentar os ganhos relaciona dos à ação sem procrastinação, as crianças aprendem a se autodisciplinar – uma capacidade que está mais relacionada ao bom desempenho acadêmico que a resultados em testes de QI. Foi o que descobriram pesquisadores da Universidade da Pensilvânia em um estudo longitudinal com adolescentes a partir de uma série de questionários relacionados aos hábitos.

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