Saiba mais sobre a exigência das escolhas

No mundo moderno, é cada vez mais intensa a cobrança de uma atitude, ou seja, todos precisam optar por um lado: o partido político, a ideologia, a cor preferida, a orientação sexual e por aí vai

Por Cida Lopes | Adaptação web Tayla Carolina

Os últimos acontecimentos do país têm gerado uma cobrança de uma atitude cidadã em que todos precisam definir um lado da moeda, o partido político, uma ideologia, a cor preferida, a orientação sexual definida etc. Como isso influencia na perda do equilíbrio emocional?

Para começar, uma pergunta: “Existe equilíbrio emocional?”, “Já vimos algum bebê nascer sorrindo?”. A entrada no mundo para nós, seres humanos, é a porta de entrada para a angústia. Um afeto, ou o único que não engana, não se explica, não se nomeia, não tem um objeto. É o caos.

Em sua etimologia, angústia tem sua origem do latim angustus, estreiteza, limite de espaço ou de tempo. Ansiedade ou aflição intensa; ânsia, agonia. Daí a expressão: “aperto no peito”.

Em seu livro O Conceito de Angústia, Kierkegaard defende que a diferença entre o medo e a angústia é que no medo existe um objeto definido, concreto, e ao identificarmos tal objeto é possível evitá-lo e controlar o medo.

Ao contrário da angústia, que não temos clareza, certeza do objeto que a provoca, faz com que o estado de angústia permaneça em nós.

Dois lados da angústia

Daí, podemos afirmar que a angústia é e sempre será consequência da nossa existência humana. Mas também o motor de nossos desejos de eterna busca da felicidade. Para sempre incompleta. A angústia não é nossa condenação, é nossa condição de existir.

Imagina se existisse somente uma única cor, um único sabor, uma única forma de prazer, um único trabalho, uma única mulher, um único homem, que o fizesse se apaixonar por toda sua vida.

Ou, mesmo existindo várias cores, vários sabores, várias formas de prazer, e tudo que há no mundo, você seria predeterminado, direcionado a somente uma entre todas as possibilidades. E nada mais chamaria sua atenção. O que você perderia? E o que você ganharia?

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Psique – Ed. 147