A sociedade do espetáculo

Na era da comunicação e das mídias sociais, nunca foi tão fácil criar uma imagem positiva. Difícil mesmo é praticar o que os discursos inflamados conseguem promover

Por Lilian Graziano* | Adaptação web Tayla Carolina

Inicialmente devo deixar claro que, apesar de usar a expressão cunhada por Guy Debord, não pretendo, aqui, discutir o conceito de sociedade do espetáculo como uma fase específica da sociedade capitalista. Não obstante isso, tratarei das relações sociais mediadas pela imagem.

Mais do que isso, por imagens que, muito antes de revelarem a verdade dos indivíduos, cumprem o papel de torná-los “vendáveis” a um crescente (e alienado) público consumidor de tolices de toda sorte. Vivemos uma espécie de show business institucionalizado no qual “parecer” se tornou mais importante do que “ser”.

A partir daí, são vários os desmembramentos. Sou professora há mais de 30 anos e, a julgar pelos questionários por meio dos quais somos avaliados pelos alunos, talvez a expectativa das instituições seja muito mais a de que atuemos no ramo do entretenimento do que no da educação.

Afinal, o importante é que o aluno (cliente) “goste” de nós. Já quanto a aprender, ou melhor, ser capaz de transferir a aprendizagem para o contexto em que vive… bem, isso não é tão importante assim.

Turbinado pelo poder das mídias sociais, o poder da imagem parece desconhecer limites. Afinal, na medida em que vivemos na era do conhecimento, cada um de nós, mais do que nunca, se reduziu a um “produto” que precisa ser vendido a qualquer custo.

Vejo, consternada, profissionais assumirem papéis ridículos nessas mídias, a fim de conseguirem “seguidores”. E, sim, eles sempre aparecem! Nunca foi tão fácil ficar “famoso”! E nesse sentido, nem é preciso ter consistência teórica no campo em que se atua ou mesmo ser competente.

Basta aparecer muitas vezes falando sobre a importância da consistência ou da competência. Nesse sentido penso que, enquanto sociedade do espetáculo, estamos mais perto do que nunca de um verdadeiro show de horror.

 

*Lilian Graziano é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área.

 

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Psique – Ed. 147