A curiosidade matou o gato

Apesar do que atesta o dito popular, a curiosidade move o mundo e, mais do que isso, desperta paixões. Na psicologia positiva ela é uma força pessoal.

Por Lilian Graziano / Adaptação Web

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A curiosidade matou o gato”, ditado popular bem mais antigo do que a era do conhecimento, parece ter sido criado na Idade Média, quando a caça às bruxas (e a seus respectivos gatos) corria solta, e armadilhas eram construídas para capturar os pobres bichanos que, vítimas de seu instinto curioso, tornavam-se presas fáceis dos terríveis artefatos. A partir de então, ao que tudo indica, a cena cotidiana virou metáfora cujo propósito era o de advertir as pessoas quanto aos riscos de se render ao inquietante espírito indagador.

Felizmente, no entanto, a história da humanidade esteve sempre repleta de impertinentes curiosos e, sobretudo, corajosos o suficiente para não seguirem conselhos. Principalmente conselhos estúpidos. Graças a eles, o século XXI é tão maravilhosamente diferente do século XII.

Contudo, a despeito das diferenças (e ao que tudo indica também de seus ditados populares), uma coisa permanece a mesma: é a curiosidade de quem escreve o futuro. Foi assim na Idade Média e continuará sendo assim até o final dos tempos.

Vale dizer, todavia, que nem sempre a curiosidade é bem-vinda, visto seu caráter impertinente tão pouco desejado em alguns contextos, tais como nas diferentes ditaduras, sejam elas políticas ou religiosas.

Na visão da Psicologia Positiva, a curiosidade é uma das 24 forças pessoais. Trata-se de uma força derivada da virtude, da sabedoria, esta compreendida como uma qualidade cognitivo-emocional que possibilita a aquisição e o uso do conhecimento nos assuntos humanos, permitindo ao indivíduo que a possui decidir, avaliar e julgar aquilo que é importante, bem como saber lidar com as incertezas e complexidades da vida.

O sujeito curioso é, antes de qualquer coisa, uma espécie de “alma renascentista” que demonstra interesse por tudo e está sempre em busca de aumentar seu conhecimento. Por isso, costuma ser receptivo às experiências e flexível quanto à possibilidade de experimentar novos comportamentos e situações.

E é justamente por essa sua natureza, que aquele que possui a curiosidade como força talvez seja o tipo de pessoa mais adequado para viver no mundo que vivemos hoje, também conhecido como mundo VUCA, sigla criada pelos militares americanos para descrever os novos desafios que os líderes contemporâneos são obrigados a enfrentar. Formada pelos substantivos volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity), a sigla também descreve as principais características do mundo atual.

A volatilidade corresponde ao aumento da magnitude à frequência das mudanças que enfrentamos atualmente; a incerteza diz respeito à menor clareza que experimentamos em relação ao futuro; a complexidade define a interdependência e a interconexão entre os elementos que compõem.

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