O que os psicopatas desejam?

O enfoque da psicopatia está ligado a falta de sensibilidade à punição, ou na ausência de medo

Por marco Callegaro | Adaptação web Renê Saba

Tradicionalmente, a pesquisa em Neurociências, enfoca a psicopatia como estando fundamentada em uma deficiência em certos circuitos cerebrais ligados ao controle dos impulsos, ou ao aprendizado de consequências negativas. A falta de sensibilidade à punição tem sido apontada como uma das hipóteses de um substrato neural da psicopatia. Outras investigações apontam que não só a falta de medo, mas, consequentemente, as dificuldades de aprendizado com as experiências de medo são traços que estão por trás da psicopatia.

Autoestima elevada e a valorização do próximo

No entanto, até o momento, esses traços não se mostraram particularmente úteis para prever violência ou comportamento criminal. Uma nova linha de investigação sugere que pode ocorrer no cérebro de psicopatas uma forte tendência para a recompensa, e que isso tem sido negligenciado pela pesquisa convencional nessa área. Os indivíduos com traços de psicopatia têm de fato um forte impulso pela busca de recompensa, e esse impulso talvez supere o senso de risco ou a preocupação com as consequências negativas de determinado comportamento.

Inteligência criminal e seus desafios

Para testar essa hipótese, foi realizado um experimento no qual indivíduos com psicopatia e pessoas sem essa característica recebiam uma droga e tinham seus cérebros submetidos a escaneamento para obtenção de imagens do funcionamento neural. O objetivo foi verificar como o cérebro das pessoas reage a estimulantes, no caso um tipo de anfetamina chamado em língua inglesa de speed, conhecido por suas propriedades de liberação de dopamina.

A dopamina é a moeda da recompensa no cérebro. Quando as moléculas desse neurotransmissor, provenientes da área tegmentar ventral, atingem receptores na região do núcleo acumbente, o organismo sente prazer e desejo de repetir a experiência que levou ao estímulo dopaminérgico. Esse é o chamado sistema de recompensa do cérebro.

Saiba como definir o seu propósito

No experimento realizado, o que chamou a atenção dos pesquisadores foi que pessoas com altos níveis de traços de psicopatia têm quatro vezes mais dopamina liberada em resposta à anfetamina do que as pessoas normais. Em uma segunda parte do estudo, os sujeitos tinham os cérebros escaneados enquanto ganhavam uma recompensa financeira por fazer uma tarefa em laboratório. Como no primeiro estudo, os psicopatas mostraram liberação muito maior de dopamina e níveis mais altos de atividade em antecipação ao ganho da recompensa.

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