Arte mutilada: o perfil biográfico de Amy Winehouse

A voz rouca, sensual e a figura exótica de Amy Winehouse marcaram a história da música com seu enorme talento e a referência aos processos autodestrutivos da cantora

Por Anderson Zenidarci | Adaptação web Renê Saba

A londrina Amy Jade Winehouse nasceu em 1983, filha de um taxista e uma farmacêutica. Tinha um irmão mais velho, de quem nunca foi próxima. De família judia, enquanto criança foi obrigada pelos pais a frequentar uma escola judaica. Não gostava da rigidez, não se adaptava. Foi introduzida no mundo da música também pelos pais, apreciadores de clássicos do jazz. Seus tios por parte de mãe eram músicos do mesmo estilo.

Autoestima elevada e a valorização do próximo

Já na adolescência, Amy começou a apresentar problemas e controvérsias: foi expulsa de uma escola de artes cênicas por “não se empenhar” e colocar um piercing no nariz. Nesse período começou a escrever músicas. Após o colégio regular também não dar certo, ela abandonou os estudos e se dedicou a cantar em uma banda. Aos 16 anos, um amigo passou uma fita sua a uma gravadora, levando-a a assinar seu primeiro contrato. No início, assinou como cantora de jazz, mas com o passar do tempo ampliou o estilo e tornou-se um estilo mix de jazz, pop, soul e R&B.

Inteligência criminal e seus desafios

Em um ano, ela venceu cinco Grammy Awards ligados ao álbum Back to Black e ganhou reconhecimento mundial por músicas como Rehab e Love Is a Losing Game. Assim como cresceu sua fama, aumentou também a especulação da imprensa sobre o seu estilo de vida. O detalhe que mais chamava a atenção era o seu peso, o que era justificado por Amy como sendo consequência do fim do uso de Cannabis. Durante essa época, após o lançamento de seu primeiro álbum, Frank, começou a criar sua imagem de garota instável e boêmia.

Iniciou uma fase de bebedeiras, uso de drogas, distúrbios alimentares (anorexia severa) e variações de humor bruscas (da depressão à agressividade), que só pioraram ao longo dos anos e do sucesso crescente. O sucesso era insuportável, pois contradizia a autoimagem de fracasso e não merecedora que tinha, fruto da família disfuncional na qual crescera.

Saiba como definir o seu propósito

Frequentemente aparecia completamente embriagada em suas performances, a ponto de não conseguir terminá-las. Amy Winehouse sempre teve problemas e dificuldades de relacionamentos pessoais e profissionais, inclusive com diversas gravadoras. A canção Rehab foi escrita após a tentativa falha de uma de suas gravadoras de interná-la em uma clínica de reabilitação. A cantora se envolveu em um relacionamento conturbado e violento com Blake Fielder-Civil, que admitiu ter introduzido Amy nas drogas pesadas, como cocaína, heroína, mescalina, até o crack. Logo após se casarem, tiveram uma grande discussão em um hotel, e fotos de Amy com manchas roxas pelo corpo, machucados com sangue circularam pela mídia, mas ela negou ter sido agredida pelo marido, afirmando serem marcas de automutilação, fato frequente em seu histórico, pois ela se cortava desde a adolescência, como uma “forma de aliviar a dor” da angústia intensa que sentia.

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